o despertador tocou, os olhos se abriram.
se levantou, se arrumou e saiu para cumprir a rotina diária.
cansado de ter que andar pelas mesmas ruas, mas sem perspectiva para mudar o percurso.
trabalhou, sem nenhuma novidade, tudo normal, tudo mórbido.
ao voltar para casa, pelo mesmo caminho, foi pensando nos seus problemas, no fundo do poço ao qual se encontrava.
sem querer, tropeçou em uma pedrinha, e foi-se ao chão.
sua vontade era de ficar ali mesmo, caído, mas levantou-se.
ao se levantar, deu de cara com uma loja que nunca tinha reparado antes. há quanto tempo estaria ali? um dia? um ano?
os poster lhe chamou a atenção. na vitrine um disco do Radiohead. Era uma loja de discos de vinil e cd.
decidiu entrar.
assim que entrou, seus olhos encontraram se com o da moço no balcão
olhos azuis
cabelos pretos
bochechas coradas
olhos pequenos
por um instante, o mundo parou de girar.
há quanto tempo não sentia? há quanto tempo não se arrepiava? há quanto tempo não olhava nos olhos de alguém?
desviou o olhar para baixo. sentiu vergonha.
foi olhar os cds e a moça veio em sua direção.
"posso ajudar?"
ele voltou a olhar nos olhos da moça.
não disse nada.
perturbado com o sentimento, foi embora. sem dar tchau, sem olhar para trás.
a melancolia havia se quebrado, a rotina havia se quebrado.
um novo mundo começou depois de ir ao chão.
destino? acaso?
foi para casa, deitou-se, e pensou nos olhos da moça.
sentiu.
depois de muito tempo, ele sentia.
ele renascia.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Libertar-se
Alto, branco, olhos claros, cabelos longos e loiros. O tipico garoto padrão pegador da cidade, mas ele não era assim. Todos o olhavam e o desejavam, mas ele não desejava ninguém. Preferia a melancolia de uma tarde fria ao som de Beatles e chá. Quase sempre perdido em seus pensamentos, tentava a cada dia se entender ou encontrar uma razão para viver.
As garotas bonitas, as festas e as baladas, nada lhe interessava. Preferia o vazio, se sentia confortável na solidão. A bebida era sua melhor companhia. Não bebia para afogar as mágoas, pois elas já haviam aprendido a nadar. Bebia pelo simples fato de se sentir melhor embriagado. Se distraía com as notas do violão e as lindas canções que escrevia.
Um dia, resolveu acabar com toda a dor e toda a tristeza que lhe fizera morada. Fez uma viagem, foi ver o mar. Era sua ultima noite acompanhado de bebida, violão e a luz da lua. Queimou todos os seus poemas e todas as suas letras na fogueira. Não queria deixar nada para trás. Perto de amanhecer decidiu subir a montanha, lá de cima via o mar e as pedras. Sem pensar duas vezes, jogou toda a tristeza, toda a melancolia, toda dor, toda solidão. Se jogou.
As garotas bonitas, as festas e as baladas, nada lhe interessava. Preferia o vazio, se sentia confortável na solidão. A bebida era sua melhor companhia. Não bebia para afogar as mágoas, pois elas já haviam aprendido a nadar. Bebia pelo simples fato de se sentir melhor embriagado. Se distraía com as notas do violão e as lindas canções que escrevia.
Um dia, resolveu acabar com toda a dor e toda a tristeza que lhe fizera morada. Fez uma viagem, foi ver o mar. Era sua ultima noite acompanhado de bebida, violão e a luz da lua. Queimou todos os seus poemas e todas as suas letras na fogueira. Não queria deixar nada para trás. Perto de amanhecer decidiu subir a montanha, lá de cima via o mar e as pedras. Sem pensar duas vezes, jogou toda a tristeza, toda a melancolia, toda dor, toda solidão. Se jogou.
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